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Tudo sobre o Acauã, o mensageiro da floresta


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Enviado por: cerejinha (1164)
Publicado em: 23/02/05 07:18hs.

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O Brasil, encontra-se em situação vantajosa perante a biodiversidade de aves que compoem o seu território. A Floresta Atlântica e Amazônica detêm inúmeros ambientes que proporcionam habitat para as espécies de aves mais variadas. Dentre elas estão as aves de rapina que possuem as mais incríveis adaptações, inclusive a prática da caça, que torna todas as aves pertencentes a este grupo, extremamentes importantes ao ambiente em que vivem, pois é através de sua forma de se alimentar e das espécies de presas que consomem, estas aves, fazem o equilíbrio do ambiente com muita eficácia.

Ao contrário do que se pensa, no Brasil, existem muitos rapinantes, estes podem ser noturnos, representados pelas Corujas, Mochos e Caburés, e diurnos, representados pelas Águias, Gaviões e Falcões.

Popularmente os falcões quase não são conhecidos, mas estes representam 18% das espécies de rapinantes que existem no Brasil. São quinze espécies que possuem em especial, o hábito de caçar outras aves durante o vôo. Atingem velocidades superiores a 300Km/h e por isso possuem uma musculatura no peito diferenciada capaz de suportar fortes impactos, que investem contra as presas no ar. Os falcões podem também se alimentar de insetos, carrapatos e bernes que parasitam mamíferos de grande porte, silvestres ou de criação, em áreas rurais. Podem oportunamente ser necrófagos (comer animais mortos) e se alimentar de pequenos mamíferos.

Mas dentre os falcões o de mais encatadora beleza e curiosidade é o Acauã (Herpetotheres cachinnans), que possui o hábito de se alimentar de serpentes e morcegos. Serpentes é o que mais lhe atrai, principalmente as de cor vermelho intenso, cujo as quais, em sua maioria, indicam alerta ao seu veneno, como as cobras-corais (Micrurus corallinus). Podem se alimentar de serpentes de tamanhos variados, tanto arbóreas (que vivem nas copas das árvores) como as terrestres. Daí vem o seu nome científico Herpetoteres: Herpeto (do latim) = o que rasteja.

Existem três subespécies de Acauã, que ocorrem apenas na America, aparecendo do Sul do México ao Centro da América do Sul. No Brasil ocorre em áreas preservadas, onde há pouca interferência humana. Além das florestas úmidas, habita também áreas mais secas como o Cerrado e a Caatinga, onde há uma farta oferta de alimento.

Este falcão de 47 cm, é uma espécie facilmente reconhecível, possui as penas na cor creme e uma mascara negra que envolve a cabeça camuflando os olhos, assim como as penas da cauda, visivelmente barrada de branco. O casal em cortejo pode vocalizar constantemente por até 10 minutos ininterruptos. Reproduzindo no final do canto o som que lhe dá o nome: "a-cua-ã". Cantam de preferencia no crepúsculo, ao amanhecer e até mesmo durante a noite.

Dentre as inúmeras lendas que envolvem os animais, o Acauã se faz presente, sua vocalização é transcrita por alguns como "Deus-quer-um": Os índios Tupinambás reconheciam no canto melancólico da ave denominada "macauan", uma mensagem das almas, um aviso benéfico dos antepassados. Eles atentamente escutavam esta ave profética dias inteiros e usavam um ritual para evocá-la. Já para os Guaranis, o "macaguá" (outro nome dado ao falcão), por se alimentar de serpentes, é considerado santo e encantado, protetor contra picadas. Quando são picados por cobras, os guarani procuram o remédio em uma folha conhecida como "guaco", nome também dado ao falcão no Peru. E para as mulheres guaranis, seu canto é anúncio de desgraça iminente.

Assim como os outros rapinantes, sobre o Acauã quase não há estudos de sua história natural. No entanto, devido aos registros de sua ocorrência nas florestas, podemos dizer que não é uma ave ameçada de extinção. Porém, como todos os animais dependentes dos recursos alimentares que a floresta oferece, está fadado a extinção, uma vez que os ambientes naturais estão em constante processo de destruição pelo homem.

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